segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Saudades


Há certas músicas que me tocam despertando sentimentos de nostalgia apesar de não traduzirem vivências minhas. 

Por vezes, em certos ambientes, principalmente quando estou sozinha no meio da natureza, rodeada de árvores e do cheiro dos pinheiros, sinto saudades de um passado que não foi o meu (confesso que hesitei no tempo do verbo: “não foi” ou “não é”? não fará o passado parte do nosso património e, assim sendo, ele “é”? então porque escolhi eu o “foi”?). Reformulo: sinto saudades de um passado que não é o meu.

E se as saudades que sentimos, aquela melancolia que nos invade a alma sempre que ouvimos aquela música ou cheiramos aquele cheiro; sempre que olhamos uma pintura, ou sentimos a brisa, ou nos envolvemos numa paisagem, não forem saudades do que foi, mas daquilo que podia ter sido, daquilo que gostávamos que tivesse sido?

E se as coisas, os momentos, que realmente se completam, que realmente nos completam, fossem, em si mesmos, o princípio e o fim e, por isso, não pudessem deixar saudades? 

Então as saudades mais não seriam do que desejos por realizar.

Sem comentários: